quarta-feira, 21 de julho de 2010

O triângulo amoroso mais exótico da História

Esfinge. Coliseu. Exércitos. Enrolação em um tapete. O soldado mais fiel. O político mais poderoso. A mulher mais inteligente.
Cleópatra VII, Julius Caesar, Marcus Antonius se enlaçam em uma história de amor trágica e épica. nomes romanos em latim ^^
O período era de transição. O governo de Roma estava centralizado nas mãos de César depois de anos como uma República.
Os interesses de Cleópatra, segundo Pilar Rivero*, são resumidos em assegurar o poder do Egito para si e seus filhos e adquirir um maior território para o país, o único independente de Roma na época.
Para assegurar-se no poder, Cleópatra buscar uma aproximação com Roma
Intrigas e guerras entre irmãos no Egito, levam Cleópatra a uma aliança com César. O casamento é visto com maus olhos pelo povo romano, mas a popularidade e o carisma de César o seguram no poder somado com Marcus Antonius, seu fiel general, como Tribuno da Plebe.
Mas a posição de César traz a traição de Crássio e Brutus.
Com a morte do político, um novo Triunvirato se forma: Otávio, Lépido e Marcus Antonius.
Otávio no ocidente, Lépido na África e o orador do discurso fúnebre de César e seu principal general, Antonius, o Oriente.
Marco Antônio atiça o povo contra Cássio e Brutus em um discurso fúnebre a César.
Cleópatra, uma vez que Otávio quer acabar com sua vida porque seria ele o herdeiro de César sem seus filhos no caminho, decide aliar-se a Antonius. O que lhe conferia proteção na política do Oriente.
Eles se casam, e o mais fiel dos soldados de Caesar toma conta de seu patrimônio ou matrimônio no caso até o momento em que cometem suicídio após sofrerem uma derrota.
Essa derrota é da Batalha do Áccio última figura quando o Senado romano os declara inimigos do povo romano e encarrega Otávio para liquidar-los. Otávio se torna o Augusto, imperador, após dar cabo de Lépido e Antônio.
Existe uma fonte, uma carta citada por Sitônio, que informa que eles teriam se casado nos rituais egípcios enquanto Marco Antônio ainda era casado com Octávia, irmã de Otávio e sobrinha de César.
Bom, vale lembrar que um dos títulos de Caesar era: "O marido de todas mulheres e esposa de todos os homens" aí a gente pensa...
Marco Antônio foi O cara; comandou toda a parte esquerda do exército de Caesar nas campanhas germânicas; diz a lenda que levava uma vida boêmia na juventude e só entrou para o exército quando fugiu de suas dívidas por bêbida em Roma; e, por um acaso, esbarrou em uma tropa romana na Judéia.
Será que esse triângulo amoroso era mais que uma linha reta com Cleópatra no meio? Talvez tenha sido triângulo mesmo, se é que me entende...
Ninguém nunca parou para perguntar se Marco Antônio, um dos maiores militares da história (e o meu favorito) também não seria marido de Caesar?
aliás tadinho dele, essa Cleópatra aí do quadro tem corpo de homem!
Problematizar tudo, eis um dos lemas do historiador...
* : texto fonte: A política externa de Cleópatra VII Filópator, por Pilar Rivero. In: Amor, desejo e por na Antiguidade. Livro nacional que, dentro dos organizadores está Pedro Paulo Funari.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A Imagem do Zeus Humano

"Tudo que o homem já fez, um homem grego já pensou antes."
Não concordo nem discordo, só afirmo que nada foi ou é tão criativo e inovador como foi e é a mitologia grega.
Os estereótipos que formam o panteão grego são base para muitos dos personagens criados na dramaturgia, na literatura, na música, nas novelas, etc, etc, etc... A graça da vida, a roda das paixões humanas foi idealizada e representada nos deuses gregos. a primeira novela das 8 da História
Todos eles tem poderes divinos e paixões/sentimentos/desejos/vontades humanas.
E um dos mais carismáticos personagens é Zeus.
Zeus, (Ζεύς em grego antigo), é o rei dos deuses na mitologia grega.
Conseguiu se livrar do destino: ser engolido pelo titã pai Cronos como todos seus irmãos tinham sido.
Zeus teria sido criado em uma caverna de Creta. Ao alcançar a idade certa, tomou a pele da cabra que o alimentava, fez dela sua armadura (a Égide, justificando o "Zeus porta-égide" da Teogonia) e foi combater seus pai, quem derrotou.
Governou o Olimpo, lar de seus irmãos, assim como os governou.
A história de Zeus é muito conhecida e algumas contradições são visíveis devido ao fato de que várias cidades-Estado gregas queriam ligar seu passado ao nome de Zeus (como pessoas importantes cuja árvore genealógica acima da terceira geração seriam reescritas com nomes de divindades).
Mas vale focar no aspecto humano dos deuses gregos. Eles são movidos por suas paixões (vide o motivo da Íliada, a vingança de Hera e Atena) e, no caso de Zeus, sua parte humana é expressa em suas aventuras "amorosas".
A idéia de amor no mundo grego, o "amor" heterossexual, não devia ser muito popular, uma vez que a posse guerreira, o sequestro, o saque, o estupro, eram os métodos de "amor" dos guerreiros. Vide na Íliada as escravas e a briga entre Aquiles e Agamenom por causa da recém-escrava Briseida.
E o tesão masculino é suprido por estupros. Incluindo o tesão de Zeus que utiliza de várias artimanhas para conseguir "dormir" com suas cobiçadas fêmeas. Ele se transforma em cisne, águia, touro, marido, etc...
Zeus é aquele que aplica a justiça, no entanto, come sua mulher (LITERALMENTE) cujos filhos deveriam superar o pai em poder e ignora o direito monogâmico das humanas.
Aí é que está: a idéia monogâmica na Grécia Antiga. O jovens atenienses seriam estimulados a manter relações com homens mais velhos (esfregações na verdade) nos gimnásios da metrópole.
E, por causa dessas muitas aventuras sexuais de Zeus surge na mitologia um personagem que me intriga: Hera.
Hera apresenta a luta por uma monogamia que na verdade não existe para a alta sociedade, quer dizer, pelo menos não para a alta sociedade (baixou o Marx: a classe dominante).
Quase ninguém gosta da Hera tirando, talvez, a minha namorada. Ela quer ferrar o Hércules, quer ferrar as amantes de Zeus, quer ferrar os troianos. Ela ferra todo mundo. Porque Zeus, bem, "ferra" todo mundo. isso aqui é blog de família, neah?
E o ciúmes de Hera aparece como um estimulante e movimentador das encrencas e lendas da mitologia grega.
Hera é linda e poderosa, o único ser mais poderoso que ela seria seu marido e irmão, Zeus. Diferente da mulher ateniense que, em oposição a romana, ficava trancada dentro de casa.
A figura de Zeus foi relida e explorada diversas vezes em diversas formas. mas botar Zeus com armadura medieval em Clash of Titans doeu...
Sua imagem aparece até na idealização de um Deus cristão oni-potente. Afinal, não é uma influencia direta da mitologia greco-romana um Deus barbudo de cabelos brancos?
Mas a primeira imagem de Zeus, aquela cultuada na Grécia Antiga, não seria uma expressão do que todo o homem sonhava em ser? Rei de seus semelhantes, subjugando sexualmente todos os que quisesse. Impondo justiça aos subordinados e ditando a vida dos que o cercam como bem entender?
Zeus é menos que humano para os nossos dias, ele é um animal com tesão animal.
E uma discussão muito bacana sobre os mitos de Zeus aparece em Clash of Gods : ZEUS (trdução deles: "O confronto dos deuses: ZEUS"), no History Channel. Muito bacana mesmo.

Anacronismo Político

aproveitei o post para homenagear grandes mestres
Quando a gente fala de comunismo, quais são as imagens que vem?
Fidel... Stalin... Marx.
O que a gente esquece é que o comunismo/socialismo é anterior a Marx, que, por um acaso, nasceu no dia 05/05/1818 e morreu em 14/03/1883. No entanto, Marx entrou em contato com o pensamento socialista em Paris e o que escreveu sobre ele em parceria com Friedrich Engels é denominado socialismo científico com a definição das lutas de classe.
A idéia do socialismo é bem clara: sociedade igualitária. Reforma agrária, igualdade social e econômica.
Uma bandeira muito parecida com as idéias de Jesus, O cara. Jesus era um revolucionário de palavras muito mais poderoso que qualquer outro que já passou pela Terra.
Uma bandeira que nosso amado John Lennon traduz em melodia com Imagine em 1971.
Charles Chapplin, já foi acusado de levantar a mesma bandeira, por um tempo, no marcathismo americano.
No entanto, sob esta mesma bandeira de igualdade, regimes totalitários foram erguidos com o nome de comunistas.
Agora qualquer manifestação política, aparece uns maluco com camiseta do Che em Sierra Maestra, Marx, movimento sem terra e virou um vuco-vuco modista do qual fazem parte inúmeras pessoas que nunca leram Marx, Lenin ou qualquer outro cara que escreveu sobre socialismo.
E, graças ao governo Vargas e o poderio americano, o nome comunista significa, para uma galera que não o entende por um outro lado, como gente que come criancinhas, ritual cabalísticos, etc, etc...
No entanto o que é preciso na visão socialista é uma atualização. Um esclarecimento sobre os desejos dessa corrente filosófica política moral e econômica que coincide com os interesses de muitas outras correntes religiosas e econômicas.
O que eu quero dizer é: toda vez que se toca no nome comunista, socialista ou o escambau a quatro, um preconceito vem, por causa das conseqüências catastróficas que regime totalitaristas que usaram esse nome de fachada trouxeram.
O próprio nome comunismo já é um anacronismo. O sistema que Marx propôs era para uma época de revolução industrial, não o sistema financeiro que temos hoje. O socialismo necessita de um rebatismo e uma releitura.
Os governos de esquerda crescendo na América Latina, se não fizerem besteira, como estão fazendo, levarão em um processo lento e gradual a instalação de um regime mais parecido com o socialismo utópico possível (leia-se: ações sociais grandes e maiores do que leis e controles a favor de industriais e os poderosos tubarões).
É preciso recriar o socialismo, longe e limpo de tudo que possa trazer essa corja ignorante que se chama de socialista (vem cá meu bem, bolsa família eu até engulo, agora, PAC não rola) próximo.
O movimento socialista é utópico em si, e não pode deixar de se-lo.
Essas ligações de socialismo com ateísmo, socialismo com marxismo, socialismo com regimes totalitários precisa acabar.
O próprio movimento socialista tem que erguer a bandeira branca. Ficar nas cinzas por umas booooas gerações e resurgir quando as pessoas tiverem uma consciência mais humana.
Por enquanto, é um bando de crianças ou intelectuais que... Bem... São só intelectuais sem mais aquela militância estudantil das Diretas Já, dos Cara pintada, de bomba na época da ditadura...
A partir do momento em que a corrente socialista dominou a História das escolas públicas E particulares, ela se balanizou e acabou.
Talvez a História Nova seja a própria salvação do Socialismo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

História e Memória - Le Goff e esse blog (ou não)

A quinta parte de Le Goff e a última de Gourhan, em quem ele se baseia por todo o capítulo, são dedicadas a memória que surge em função da comunicação eletrônica.
Le Goff escreve que os computadores permitem um acúmulo nunca visto antes de memória e conhecimento e que a facilidade de acesso é inédita também.
A partir disso, a "memória eletrônica" é a primeira a permitir que a memória individual exista também. É claro que ela sempre existiu, mas se tratavam de figuras importantíssimas que influíram no coletivo.
Agora todos podem entrar para a História. Lembrando que a História é escrita a partir do interesse do historiador, podemos corrigir a frase anterior de minha autora, porque o Le Goff nunca erra e troca-la por: agora, qualquer um pode registrar sua memória na memória coletiva.
Enquanto o coletivismo memorial levou a conseqüências catastróficas, a transmissão eletrônica permite a lembrança e a humanização do individual. Tem gente que afirma que nos tornaremos números "você é só mais um no orkut", por exemplo.
No entanto, esse mais um vai ser diferente do outro um, nem que seja por algumas fotos e uma descrição do "quem sou eu" original.
O sentimento nacionalista morre, eis a chance do sentimento global com a valorização do individual sem estereótipos.que puta conclusão de menininha
E sobre o acúmulo de memória em pequenos aparelhos eu comecei a lembrar dos holokrons do Star Wars (há! Eu tinha que falar disso). Onde pequena caixas trazem registros de povos e populações inteiras e eles se lançam em combate para te-las.
Le Goff é incentivador da informação digital e, por tabela, da popularização do conhecimento, que nunca podemos esquecer que é o objetivo desse blog: popularização e democratização do conhecimento histórico.

História e Memória - Memória Nacional

Le Goff foca na construção das identidades nacionais quando chegamos a parte da memória impressa. de longe a mais legal
Jornais. Informação massificada. Opinião pública. Mobilização. Revolução. te lembra alguma coisa...? Depois da Idade Média... 1789...
Uma coisa leva a outra. A memória coletiva no pós-Idade Média é exposta em museus, calendários festivos nacionais, laicização de territórios, etc...
A escolha de dias festivos, exprime uma idéia de identidade nacional desejada, Le Goff ilustra com o exemplo francês: quais fatos da Revolução Francesa deveriam ser lembrados?
"A história é escrita pelos vencedores." Não seria esse um efeito colateral da manipulação da memória coletiva?
Meu exemplo nacional preferido: o livro de Narloch. O guia politicamente incorreto do Brasil tenta provocar a opinião pública revelando fatos encobertos pela leitura de nossa memória coletiva nacional idealizada.
O auge da memória coletiva foram o nazismo e o fascismo. Idealização de feitos do passado e adoração aos líderes políticos. As conseqüências desse tipo de uso da memória coletiva são catastróficas. Países que foram traumatizados com esse tipo de linguagem totalitária reconhecem isso (aí podemos incluir também o Regime de Terror no pós-Revolução Francesa).
O que me assusta, no entanto, são nações que tiveram a mesma forma de pensar e não identificaram ou se traumatizaram com isso.
"A história é escrita pelos vencedores".
Eis que o grande vitorioso dos conflitos contra regimes totalitaristas também tem um cunho nacionalista.
Sim, estamos falando dos EUA. Sua visão para o país é de perfeição. Alienação total.
As aulas de American History são, de fato, um discurso patriota decorado sobre os feitos heróicos dos presidentes estadunidenses. porque é um bsurdo chamar de americano
Palavras de quem freqüentou uma High School.
O que é Guatanamo se não um campo de concentração?
Não me venham com o papo "A guerra do Vietnam..." A guerra do Vietnam não foi em território estadunidense como as guerra de Hitler, Mussolini e o Regime do Terror foram em territórios europeus.
A mídia fez a parte dela na guerra do Vietnam, a dor fez a parte dela e muito mais na segunda guerra mundial.
Então, um país de cunho nacionalista que se esconde sob o nome de liberdade e democracia prevê sua posse de armas nucleares como a garantia da paz mundial no sistema de Direito Internacional.
Mussolini e Hitler foram adorados por um certo tempo. Obama também o é e Lula quer ser. fazer filminho foi uma puta falta de sacanagem.
E todos os outros presidentes estadunidense também são. Bush talvez não, porém, ele é exceção (e outro acho que Nixon, da guerra do Vietnam...) por causa de uma mídia crítica e opiniões internacionais fortes.
Esse é o caminho da salvação estadunidense não Canada, não vou ignorar sua existência: uma mídia crítica e uma comunidade internacional que não abaixa a cabeça. Aliás, não tem mais o porquê abaixar a cabeça mesmo, só a gente não foi afetado pela crise...