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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Civil War

A guerra civil americana, ou guerra da secessão (1861-1865), foi um confronto entre o Norte e o Sul, principalmente sobre o direito ou não de possuir um escravo. A guerra civil da editora Marvel foi uma guerra entre heróis dispostos a retirar a máscara e heróis não-dispostos.
O ato que separou os exércitos de Capitão América e Homem de Ferro determinava que todos os meta-humanos deveriam revelar suas identidades secretas e se submeter ao sistema de proteção norte-americano.
A Guerra Civil americana tem em comum o fato de que a questão é sobre seres humanos, e sobre o domínio que a sociedade exercem, ou não, sobre eles.
Os heróis não-dispostos a revelar suas identidades não queriam entrar em um sistema, eles não queriam trabalhar para o governo, isso iria expor as famílias desses heróis. O que, por exemplo, seria de Mary Jane se soubessem que seu namorado é o homem aranha?
Já o Sul não queria entrar em um sistema não-escravocrata. Queriam permanecer no modo de vida em que estavam. Tinham sua renda, seus negócios e assim estava bom para eles. Eles não queriam abrir mão de seus escravos.
Com o fim da escravidão, o Norte industrial poderia controlar a economia. O país seria melhor sob seu domínio econômico.
Com o fim do anonimato dos meta-humanos, o governo poderia controla-los. O país seria melhor sob seu domínio das forças super-humanas.
O debate é o mesmo: aderir ao sistema ou renuncia-lo.
Ao renunciar o sistema, os heróis se tornariam renegados. Levados ao nível de vilões, que deveriam ser combatidos e derrotados. E foram.
O capitão América morreu. O sistema – Stark – triunfou.
Stark cai bem como alusão a um Norte de alta tecnologia. E o Capitão América em seu papel sulista é a própria ironia, afinal, se os sulistas lutavam para manter seus escravos cativos, as correntes dos heróis aliados do Capitão América eram suas máscaras, que garantiam sua liberdade.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O fantasma Haiti

O Haiti foi o primeiro de nós, americanos, a conseguir sua independência, a Revolução durou de 1791 a 1804. O fluxo de africanos da ilha era gigantesco, uma vez que a taxa de mortalidade era enorme e a Revolução Haitiana é ligada a isto como nenhuma outra.
O diferencial do Haiti é que a revolução foi feita por escravos. O Haiti se emancipou junto com seus habitantes. A chacina dos brancos levou então ao que nós vamos chamar de Fantasma do Haiti. Um medo que perpassava as colônias (como Cuba) de que os escravos se revoltassem e tomassem o controle do país.
O Haiti ficou lutando a favor da abolição em muitos países americanos, apesar das disputas internas que sucederam a emancipação.
Depois de se tornar independente, o Haiti foi economicamente boicotado por Estados Unidos, França, Espanha e mais uma galera. O maior produtor de açúcar no mundo faliu e só teve sua independência reconhecida décadas depois.
A Revolução Haitiana é vital para que possamos entender o movimento emancipatório americano como um todo.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Os EUA ao infinito e além

Os filmes animados Toy Story trazem símbolos muito característicos da nação americana para pensarmos os imaginários construídos com o Destino Manifesto e posteriormente.
E nada mais simbólico no mundo americano do que as estrelas.
A Nação independente do Texas, chamada de Estrela Solitária talvez seja o auge para pensarmos o que a estrela significa.
O simbolismo da estrela representa o que é belo, bonito, perfeito e de certa forma inalcançável. Um exemplo cotidiano: as estrelas de Hollywood. (sentiu a ironia?)
Segundo um professor de história mundial, americano, de South Mecklenburg High School, Porto Rico ainda não foi incorporado aos Estados Unidos da América porque isso mobilizaria uma industria muito grande de novas bandeiras, com 51 estrelas cada.
Cada estrela na bandeira americana representa um estado como na bandeira do Brasil. No entanto, mesmo com um processo americanista, as diferenças entre a dinâmica política do Brasil e dos EUA é diferente ao ponto de não conseguir se imitar perfeitamente nem no simbolismo.
A estrela solitária da bandeira do Brasil representa a capital, já ensinava a professora do pré-escolar, no entanto, a bandeira americana não permite uma hierarquia entre os estados, o que, ao meu ver, evidencia uma política de respeito e colocação no mesmo patamar todos os estados, talvez como um trauma da guerra de Secessão, uma vez que a bandeira anterior tinha uma estrela solitária no meio.
A conquista para o oeste, o primeiro passo rumo ao infinito, traz o estereótipo do Cowboy. O Sheriff Woody (um cowboy de brinquedo) traz no peito o símbolo que lhe confere a representação da ordem do Estado, da Lei: uma estrela.
Estrela que imita as estrelas do céu que, com o mesmo pioneirismo exercido no oeste, os EUA tentam se aproximar “conseguindo” em 1969 chegar a Lua.
O pioneirismo rumo as estrelas também aparece no desenho, com o personagem Buzz Lightear, um brinquedo paranóico que acredita piamente ser de verdade e que pode ir ao espaço.
Com a chegada desse personagem, o novo espírito de conquista (Buzz, o astronauta) confronta-se com o antigo (Woody, o cowboy, o líder da comunidade que formavam os brinquedos de Andy), no entanto, o espírito aventureiro dos dois faz com que se tornem melhores amigos.
Em síntese, o símbolo da estrela aparece com lei, objetivo e um toque missão: os EUA, disciplinado e disciplinador, unido rumo ao infinito, e além.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Inca é inca, asteca é mexica


ASTECAS = em sua língua, o nahuatl, MEXICAS. Povo dominante na região do México na chegada do "conquistador" espanhol Hernán Cortês em 1519.

INCAS = império dominante na América do Sul, concentrados no atual Peru. Subjugados pelo "conquistador" Francisco Pizarro em 1532. Os incas mesmo seriam a família imperial.


Ok, o fato é que essas suas civilização possuíam a hegemonia em suas respectivas regiões. Controlavam, de diferentes maneiras, povos vizinhos e em uma análise das formas de dominação podemos ressaltar algumas diferenças que os caracterizavam.
Podemos utilizar como introdução a uma comparação dos domínios mexica e inca com uma singela exposição de suas mitologias.
Uma vez que, na mitologia inca, Viracocha teria criado os homens com diferentes culturas e costumes e que o Inca seria descendente do Sol, no mito mexica é prevista uma dominação asteca sobre outros povos, justificada por uma servidão anterior (esta lenda foi criada sob o governo de Itzcoatl, pelo menos, perto de 1430).
A dominação mexica incumbia a administração das regiões conquistadas, belicamente, aos pipiltin mexicas (nobreza), enquanto, por se tratarem de uma família (por isso menos numerosos), os incas permitiam às administrações locais que continuassem a reger, no entanto, subordinados aos "filhos do Sol".

Os astecas exigiam impostos (tributos), com o risco de serem transformados em escravos os macehualtin (servos) que não pagassem. Esses tributos serviam para o sustento dos pipiltin e de obras grandiosas, como aquedutos e diques, de responsabilidade estatal, uma vez que havia comércio no Estado mexica.
Já nos Andes, o Estado Inca era o responsável (ao menos na maior parte¹) pelas trocas e mantinha-se no poder como governo ativo utilizando o processo de mita, o qual conferia a influencia da família real em todo o seu vasto território.
Enquanto os astecas atraiam o ódio de muitos povos conquistados, no Estado inca era comum os administradores locais (que não pertenciam a família real) serem designados como ilegítimos¹.
A dominação política e religiosa inca tomava seus tributos nas formas de trabalho (mita) e rituais, enquanto os mexicas exigiam tributos agrários e pessoas para serem sacrificadas.

1= essas informações e descobertas historiograficamente recentes podem ser encontradas em:
MURRA, J. As sociedades Andinas anteriores a 1532. In: América Latina Colonial. Org: BETHELL, L. Tradução de Maria Cescato. Ed: EDUSP, 1997.

sábado, 19 de junho de 2010

A mestiçagem


O Brasil é fruto de três culturas. O índio, o negro e o branco. Que bonitinho.
Porém, são poucos os historiadores que estudam o fator mistura que as culturas humanas possuem.
Vide os gregos: uma civilização formada pela miscigenação e contato de aqueus, eólios, jônicos e dórios. Mestiçagem pura. Dinamismo que viria a ser a base do mundo ocidental.
Um dos mestres no estudo dos contatos entre culturas é Serge Gruzinski, um historiador e paleógrafo francês especialista nos processos da conquista.
O cara é um PHD++ que fala português e analisa a mestiçagem e o produto cultural. Em seu livro A Colonização do Imaginário, Gruzinski implanta na cabeça do leitor a verdade de que uma cultura não nasce ou morre, se transforma. Analisa, por exemplo, a transformação na arte asteca depois do contato com a européia.
Você já imaginou nobres astecas indo para a Europa estudar mitologia grega, história, matemática, letras?
O pensamento mestiço explora essa idéia de miscigenação e A guerra das imagens trata sobre as representações para ambos os lados das diversas imagens e as traduções errôneas que aconteceram. Dois mundos tão diferentes se chocando que dão suporte a um outro título: A passagem do século: 1480-1520 - as origens da globalização, como os outros dois anteriores, livro de Gruzinski.
Essa idéia de mestiçagem é tão rica e tão pouco explorada que vale citar um dos exemplos mais ilustres da língua espanhola: Inca Garcilaso de la Vega, filho de uma princesa inca com um capitão espanhol, foi morar na pátria paterna devido ao perigo que corria no país natal, Peru, por sua linhagem nobre.
Ele era considerado bastardo para a coroa espanhola e através dele timos relatos daquela época sobre a nobreza inca e a tentativa de Hernando Soto de conquistar a Florida, assim como análises antropológicas fantásticas.
Conclusão do post: Gruzinski é o cara, fodão e eu vou devorar os livros dele nas férias.