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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Anacronismo Político

aproveitei o post para homenagear grandes mestres
Quando a gente fala de comunismo, quais são as imagens que vem?
Fidel... Stalin... Marx.
O que a gente esquece é que o comunismo/socialismo é anterior a Marx, que, por um acaso, nasceu no dia 05/05/1818 e morreu em 14/03/1883. No entanto, Marx entrou em contato com o pensamento socialista em Paris e o que escreveu sobre ele em parceria com Friedrich Engels é denominado socialismo científico com a definição das lutas de classe.
A idéia do socialismo é bem clara: sociedade igualitária. Reforma agrária, igualdade social e econômica.
Uma bandeira muito parecida com as idéias de Jesus, O cara. Jesus era um revolucionário de palavras muito mais poderoso que qualquer outro que já passou pela Terra.
Uma bandeira que nosso amado John Lennon traduz em melodia com Imagine em 1971.
Charles Chapplin, já foi acusado de levantar a mesma bandeira, por um tempo, no marcathismo americano.
No entanto, sob esta mesma bandeira de igualdade, regimes totalitários foram erguidos com o nome de comunistas.
Agora qualquer manifestação política, aparece uns maluco com camiseta do Che em Sierra Maestra, Marx, movimento sem terra e virou um vuco-vuco modista do qual fazem parte inúmeras pessoas que nunca leram Marx, Lenin ou qualquer outro cara que escreveu sobre socialismo.
E, graças ao governo Vargas e o poderio americano, o nome comunista significa, para uma galera que não o entende por um outro lado, como gente que come criancinhas, ritual cabalísticos, etc, etc...
No entanto o que é preciso na visão socialista é uma atualização. Um esclarecimento sobre os desejos dessa corrente filosófica política moral e econômica que coincide com os interesses de muitas outras correntes religiosas e econômicas.
O que eu quero dizer é: toda vez que se toca no nome comunista, socialista ou o escambau a quatro, um preconceito vem, por causa das conseqüências catastróficas que regime totalitaristas que usaram esse nome de fachada trouxeram.
O próprio nome comunismo já é um anacronismo. O sistema que Marx propôs era para uma época de revolução industrial, não o sistema financeiro que temos hoje. O socialismo necessita de um rebatismo e uma releitura.
Os governos de esquerda crescendo na América Latina, se não fizerem besteira, como estão fazendo, levarão em um processo lento e gradual a instalação de um regime mais parecido com o socialismo utópico possível (leia-se: ações sociais grandes e maiores do que leis e controles a favor de industriais e os poderosos tubarões).
É preciso recriar o socialismo, longe e limpo de tudo que possa trazer essa corja ignorante que se chama de socialista (vem cá meu bem, bolsa família eu até engulo, agora, PAC não rola) próximo.
O movimento socialista é utópico em si, e não pode deixar de se-lo.
Essas ligações de socialismo com ateísmo, socialismo com marxismo, socialismo com regimes totalitários precisa acabar.
O próprio movimento socialista tem que erguer a bandeira branca. Ficar nas cinzas por umas booooas gerações e resurgir quando as pessoas tiverem uma consciência mais humana.
Por enquanto, é um bando de crianças ou intelectuais que... Bem... São só intelectuais sem mais aquela militância estudantil das Diretas Já, dos Cara pintada, de bomba na época da ditadura...
A partir do momento em que a corrente socialista dominou a História das escolas públicas E particulares, ela se balanizou e acabou.
Talvez a História Nova seja a própria salvação do Socialismo.

sábado, 26 de junho de 2010

Anacronismo de Homero


O que é Anacronismo?
Pelo dicionário online
Priberam: anacronismo: s. m
1. Erro cronológico.
2. Coisa a que se atribui uma época em que ela não tinha razão de ser.


Anacronismo é quando você julga, interpreta ou visualiza um fato, evento ou período histórico com os olhares de outro.
Um exemplo, quando descrevi os
daimyos do Japão medieval como lordes feudais, grandes latifundiários. Atribui termos de outras épocas para um outro tempo (uma vez que o valor semântico de daimyo não é o mesmo de lorde feudal)
No texto de
Trabulsi¹ (A mobilização política na Grécia Antiga), que é o mesmo que aborda a discussão tirano grego como um líder populista do post Demos Cratos a tiranos, ele expõe de uma maneira um pouco tímida idéia de que o aedo mais famoso de todos os tempos, Homero, (afinal se ele foi um aedo, ele só podia ser daquele tempo mesmo) não teria escrito as épicas Íliada e Odisséia fiéis às formas de governo do período contemporâneo as histórias.
O período em que Homero viveu foi, mais ou menos, VIII a. C., o início da era Clássica grega, quando a idéia de democracia era exercida em algumas cidades-Estado, e primeiramente na pólis em que ele viveu (Quios, a primeira democracia).
As epopéias se passam uns 300 anos antes, durante a civilização micênica quando a forma de governo dominante era o governo dos wanax (eis um anacronismo didático: um rei absolutista), que não fica muito bem representado na Íliada em que diversas vezes os heróis se reúnem em assembléias e o rei do exército, Agamenom, se reúne com outros reis.
Essas assembléias são realizadas em todos os níveis: monárquicos, troiano, aqueiano e divino (até Zeus reúne os deuses diversas vezes para expor sua opinião). Logo, acompanha a Íliada e a Odisséia uma idéia da necessidade do convencimento dos subalternos. Que seria uma necessidade da democracia de Quios contemporânea de Homero.
Outro fator que José Antonio Dabdab Trabulsi apresenta é a quantidade de lideranças (reis) presentes na Íliada e sobrando ainda uma galera para tentar usurpar o trono de Odisseu enquanto ele está em sua odisséia de volta. Essa quantidade enorme de lideres cria a necessidade de adjetivos para designar mais rei ou menos rei durante a Íliada em grego, fazendo um neologismo que provavelmente não foi contemporâneo às epopéias e sim, a Homero narrando-as.
Vale lembrar que as epopéias teriam sido transmitidas por via oral e aedóica por 300 anos, e sabe como é, cada conto aumenta um ponto.
Então, ou o absolutismo cretense tinha um cunho democrático e uma porrada de reis, ou os valores do tempo de Homero foram expressos nos clássicos enchendo as bases da História grega de anacronismos.

¹José Antonio Dabdab Trabulsi = formado na UFRJ, o cara já tem uns dois pós-doutorado e um currículo enorme, poliglota e que escreve muito bem! (O cara é um Funari que está atuando na UFMG)